segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

"Um centavo por meus pensamentos!"

Bem Aventurados os que choram, porque serão consolados! (Mt. 5:4).
                                           
Depois de uma visita natalina, meu pai continuou a viagem para passar algum tempo com outros familiares, antes de voltar para sua casa, em Michigan. Uma pista escorregadia, bem depois da meia-noite, apenas quatro dias após o Natal, acabou sendo o último trecho de estrada que aquele homem maravilhoso percorreria na Terra. Vinte anos depois, a lembrança ainda é difícil. Mas Deus veio em meu resgate rapidamente, e de um modo tão personalizado com relação às minhas necessidades particulares, que sinto alguma alegria ao recordar essa porção daqueles dias cheios de pesar.
Todos os dias, caminho um quilômetro e meio até o local de trabalho, e de volta para casa. Enquanto caminhava, eu procurava pensar em qualquer coisa para evitar pensar em meu pai, mas ele aparecia em minha mente, causando profunda tristeza. Eu me vi questionando Deus acerca da condição de meu pai por ocasião de sua morte – estariam as coisas acertadas entre ele e Deus? Então meu querido Pai celeste começou a falar comigo usando a linguagem das moedas. A princípio não fazia sentido, mas, centavo por centavo, comecei a reconhecer a amorosa presença de Deus. Toda vez que me surgiam perguntas sobre o preparo de meu pai para morrer, eu via uma moedinha no chão. Cada uma era, para mim, a confirmação imediata de Deus de que eu não precisava me preocupar.
Nunca me esquecerei de uma ocasião mais recente, quando Deus me mostrou uma moeda diante de meus pensamentos, algo que me levou a ficar, literalmente, de queixo caído. Ajoelhada junto à cama no escuro, eu pensava num rapaz que eu conhecera e que havia sido vítima de homicídio. Eu me vi questionando a sua condição diante de Deus no momento da morte, e fiquei extremamente aflita.
Lembrando-me do meu pai, comecei a orar para que o rapaz, que estava voltando para Deus, estivesse repousando seguro em Jesus, e anelava uma moeda de Deus para confirmar isso. Mas não podia haver moedas no chão onde eu estava ajoelhada – podia? Enquanto procurava sobre o carpete, fui rudemente interrompida por um pensamento totalmente desconectado de minha preocupação imediata. Minha vizinha surgiu em minha mente. Por que estou pensando nela? Tentei voltar aos tristes pensamentos, mas Eliane estava de novo em minha cabeça, desta vez com seu cachorrinho gordo. Suspirei, incomodada, mas então, de imediato, louvei ao Senhor por Seu milagre. Ele havia realmente arranjado uma moeda para mim. O cachorrinho gordo? Seu nome era Penny [centavo]!
(Christine B. Nelson).

sábado, 27 de dezembro de 2014

"Transação Consumada!"


E disse a Jesus: Senhor, lembra-Te de mim, quando entrares no Teu reino. Lucas 23:42, ARC

Os leilões norte-americanos são, no mínimo, um espetáculo. Digo isso porque nunca vi um no Brasil. Estive, contudo, em um deles em Michigan, a convite de um amigo, vendedor de carros usados. A cantilena na voz do leiloeiro é algo de impressionar. Além de estar atento às mudanças do preço, você precisa ficar absolutamente imóvel, fui advertido. Um leve sinal com a mão, coçar a cabeça, uma sutil contração da face, imperceptíveis a olhos ignorantes, ao olhar aguçado do leiloeiro podem significar uma oferta ou a aceitação da proposta, que o levará a proclamar a aquisição: "Vendido." Seria Deus assim?
As Escrituras apresentam quadros de pessoas alcançadas pela graça em condições absolutamente estarrecedoras. Observe o homem na cruz da direita. Quase nada sabemos sobre "Dimas", o "bom ladrão", assim chamado pela tradição. Seu mundo está se desfazendo, e ele afundando na penumbra de um horizonte sombrio. A última linha está sendo tragicamente escrita. Os ponteiros do relógio avançam para o instante final. Então acontece! É apenas um relance da visão periférica. Singularmente ele percebe Jesus, companheiro da mesma cena. Suas palavras são quase um sopro, uma respiração ofegante: "Jesus, lembra-Te de mim." E só uma frase de aceitação no universo de todas as outras escolhas erróneas. Mas nela se concentra a atenção dAquele cujo maior negócio é encontrar sinais de interesse, mesmo os mais tímidos. Nada Lhe passa despercebido. Nesse instante, o Calvário se converte num tanque batismal. "Oferta aceita", brada o "divino Leiloeiro". Apenas um olhar transversal. Apenas uma curta frase. Curtíssima no aramaico. Quase inaudível. Mas suficiente para a proclamação de que a "transação está consumada".
Você se ofende com a graça ou exulta e bate palmas eufóricas para ela? A graça de Deus é absurda para nós, acostumados com a noção de "justiça" vinda da jurisprudência humana. A graça de Deus é surpreendente. Quase podemos ver Jesus, ainda hoje, inclinado sobre enfermos, nos instantes finais, atento ao mínimo sinal de aceitação. Apenas um dedo levantado na direção do Céu, um olhar para Ele. Podemos quase ouvir Sua proclamação, como diz meu amigo Dwight Nelson: "Vendido para Meu filho, nessa cama de hospital." (Amin Rodor).

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

"Opção pelos mais necessitados!"


O que oprime ao pobre insulta Aquele que o criou, mas a este honra o que se compadece do necessitado. (Provérbios 14:31).

Escrevi minha tese doutoral sobre a Teologia da Libertação e sua relação com os pobres. Esse foi um movimento teológico forte da década de 1960 à década de 1980. O caráter político dos discursos dos teólogos da libertação chegava a advogar a luta de classes como única forma de mudança social. Para eles, a teologia deve assumir uma “opção preferencial pelos pobres”, contrariando a teologia tradicional que sempre tomou o partido da classe dominante. Apesar das inconsistências da Teologia da Libertação, concluí que havia nela verdades inegáveis.
Seria engano pensar que os pobres estão do lado de Deus simplesmente por serem pobres. Mas, sem dúvida, o Deus das Escrituras Sagradas está do lado dos necessitados e nos convoca ao serviço em favor deles. Jesus, segundo Seu sermão apresentado em Lucas 4:16-30, veio como libertador dos pobres e opressos. Tradicionalmente, essa referência tem sido “espiritualizada”. Jesus Cristo, porém, legou a Seus seguidores um inegável exemplo de solidariedade aos necessitados. Os pobres realmente estão na tela de Seu radar como prioridade de atenção e serviço.
Viv Grigg, da Nova Zelândia, sentiu-se compelido pela solidariedade de Jesus em relação aos necessitados. Foi identificar-se com os pobres nas favelas de Manila, nas Filipinas. Uma noite, sob o teto precário onde morava, Viv copiou, à mão, em pequenos cartões, cada verso da Bíblia que trata do interesse de Deus pelos pobres. Identificou 245 referências, que passaram a acompanhá-lo como incentivo à meditação. Escreveu depois o livro Companion to the Poor (Na Companhia dos Pobres), com uma provocadora observação: “Onde Jesus é encontrado e conhecido hoje? Para encontrá-Lo devemos ir onde Ele está. […] Tal busca invariavelmente nos levará ao coração da pobreza, pois Jesus sempre vai ao ponto da mais profunda necessidade. Onde está o sofrimento, Ele estará cuidando das feridas. Sua compaixão eternamente O conduz às necessidades humanas.”
Lembrei-me então de um texto de Ellen White que diz algo assim: “Para andar nos passos de Jesus, não precisamos ir à Palestina. Nós O encontramos junto ao leito dos enfermos e nas favelas onde está o sofrimento humano. Aí encontramos Suas pegadas, e O seguimos” (ver “Este Dia Com Deus”- Meditação Matinal 1980, p. 66).  Amin Rodor.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

"Atração Fatal!"


É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus. Lucas 18:25

Na sociedade capitalista, o dinheiro é visto apenas como um meio de troca. Jesus, contudo, usou o termo aramaico Mamon para descrevê-lo. Dessa forma, Ele o personificou, tratando o dinheiro como uma divindade. Para o Senhor, Mamon de fato é um deus contrafeito, em oposição ao Deus verdadeiro. O que Jesus revela é que o dinheiro é um poder tão forte que a maioria chega a considerá-lo capaz de fazer aquilo que apenas Deus pode fazer. O dinheiro exerce uma força espiritual, e sua relação com as pessoas é descrita em termos de “senhor e servo”. Para multidões, o dinheiro é o único relacionamento sério. Tudo o mais – amor, justiça, sabedoria e vida – não passa de palavras, conceitos, abstrações.
Pelo dinheiro, as pessoas chegam a se matar trabalhando, alienando-se daqueles a quem amam e por quem são amadas. A sociedade cuidadosamente treina as pessoas, persuadindo-as a trabalhar muito para comprar coisas para seus queridos. É como se dissessem: “As coisas expressam nosso amor melhor do que nossa mera presença.”
Que o dinheiro é um poder espiritual, não há dúvida. Muitos creem que, se o possuírem, todos os problemas estarão resolvidos. Nenhum outro conceito está mais arraigado no psiquismo humano. Se você desejar lutar contra a obesidade, dependência do álcool, tabagismo, drogas ou sexo disfuncional, encontrará ajuda para vencer essas dependências. Mas não existe nenhuma ajuda contra a ganância. O dinheiro é promovido de todas as formas, como se o valor pessoal dependesse dele. As pessoas se sentem orgulhosas de sua busca por mais dinheiro. Pais instigam seus filhos desde cedo a lutarem por ele, e a ganância é vista como virtude, estimulada e aplaudida.
Jesus conclui Seu diálogo com o jovem rico (Lc 18:16-30), que se afasta triste, com o texto de hoje sobre o camelo passar no fundo da agulha. Na Idade Média, muitas interpretações tentaram diluir a força dessa afirmação. Jesus, contudo, literalmente utiliza o maior animal e o menor orifício conhecidos na Palestina para ilustrar a realidade do obstáculo. Esse é o tamanho da dificuldade. Por quê? O dinheiro tende a tornar Deus desnecessário. Impossível que o rico entre no reino? Não! No capítulo seguinte, em Lucas 19, lemos a respeito de Zaqueu, o rico convertido de sua idolatria e contrafação. Como Zaqueu, faça de Cristo o Senhor de sua vida.    (Amin Rodor).

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

"O Dom de preencher lacunas!"



Procurei entre eles um homem que erguesse o muro e se pusesse na brecha diante de Mim. (Ezequiel 22:30).

Eu havia começado a trabalhar como terapeuta familiar voluntária para Charis, um centro de aconselhamento cristão numa cidade minúscula, com dificuldades econômicas em Fife, Escócia.

O grupo de oração havia me convidado para uma noite na qual orariam por mim e pediriam a Deus que abençoasse meu ministério. No dia da reunião de oração, estive ocupada, e já estávamos atrasados. Eu me sentia cansada, estressada e frustrada. Enquanto nos dirigíamos para lá, eu reclamava porque achava que tudo o que sempre fiz foi preencher lacunas. Geralmente, eu me sentia feliz fazendo isso. Mas, de algum modo, minha identidade sentia-se perdida no rótulo “preenchedora de lacunas”, como se eu fosse algum tipo de produto de manutenção doméstica.

O grupo de oração estivera orando especificamente por mim antes da reunião. “Sei que isso parece um pouco engraçado”, disse uma das mulheres, “mas acho que Deus está chamando você para preencher espaços.” Isso é interessante... Ela continuou: “Talvez porque, sem alguém para tapar as brechas, as coisas desmoronam.” Olhei para as velhas paredes do prédio, nas quais pedras escocesas irregulares haviam sido cuidadosamente empilhadas. Não havia possibilidade de serem encaixadas meticulosamente para deixar de fora os ventos e o clima rigoroso, de modo que os pedreiros haviam inserido argamassa com todo o cuidado entre as pedras para deixar a construção sólida, forte e aquecida. Olhei para uma pequena cruz de madeira sobre a mesa. Sim, Jesus também havia sido um impressionante preenchedor de lacunas: Ele preencheu o espaço entre a Terra e o Céu, a morte e a vida.

As atividades relacionadas com o preenchimento de brechas, em sua maioria, não são de natureza corajosa, dramática ou heroica. Um lanche para uma família enlutada. Uma toalha de mesa recém-lavada. Uma sacolinha de escovas de dente para um projeto local voltado a pessoas sem-teto. A leitura de um texto das Escrituras. Um prato para o junta-panelas. Quem sabe algumas palavras de amizade e estímulo. Uma singela oração. Mas, embora o preenchimento de brechas seja invisível, também é essencial, e precisa de pessoas que sejam suficientemente flexíveis para preencher as lacunas de diferentes formatos – assim como a argamassa numa parede de pedras.
Eu me pergunto se existe o dom espiritual do preenchimento de lacunas, designado para aquelas, entre nós, que fazem esse tipo de trabalho. É possível que Jesus dissesse: “Bem-aventurados os preenchedores de lacunas, pois eles impedem que as coisas desmoronem.” Que brecha está Deus chamando você a preencher hoje?

Karen Holford

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

"As flores da orquídea!"

Portanto, assim como vocês receberam Cristo Jesus, o Senhor, continuem a viver nEle, enraizados e edificados nEle, firmados na fé, como foram ensinados, transbordando de gratidão. Colossenses 2:6, 7

Eu tirava o pó do parapeito da janela em nosso recanto do desjejum, numa manhã de novembro, quando o vi pela primeira vez. Era o maior entre dez pequenos botões na base da haste frágil, semelhante a um caniço, que havia brotado da orquídea dendróbio que minha amiga me havia dado no ano anterior. Lembrei-me de que ela a havia transplantado para um vaso novo em fevereiro. E, pela reação da pequena planta, aquele lugar era perfeito – uma área bastante seca, com iluminação indireta e circulação adequada de ar. Era o quadro de uma promessa. Eu me perguntei por que não havíamos visto os botões antes. Afinal, nossa janela, que tem vista para o campo de golfe, era algo através do qual olhávamos todos os dias.
Uma semana depois, ficamos ainda mais encantados, quando pétalas de um branco puro se transformavam numa flor perfeita. No dia seguinte, as pétalas receberam seu acabamento intensamente roxo, típico desse tipo de orquídea. O desjejum se tornou uma ocasião emocionante, enquanto investigávamos se havia algum desdobramento novo. Às vezes, outro botão se abria; às vezes, a cor das flores mudava. Por fim, fizemos o jogo das bênçãos com nossa expectativa, e acrescentávamos bênçãos novas à medida que cada botão desabrochava. Certa manhã, comentei: “Fico feliz porque a orquídea floriu de novo, mas fico ainda mais feliz porque Jesus virá outra vez.”
Outra manhã, minha filha louvou a Deus pela beleza da interação entre luz e escuridão – as cores branca e roxa da orquídea – ao jornadearmos pela vida, sabendo que Deus está no comando de Seu povo.
Ao pensar na bela orquídea, percebi que, para mim, havia várias lições espirituais naquela experiência. Há por todo lado bênçãos que não tomamos tempo para notar, pelas quais devemos dar graças a Deus. Devemos viver a vida à procura das bênçãos que Ele coloca em nosso caminho. Quando Deus está no controle, tudo representa uma promessa.
A orquídea transplantada também me faz lembrar de que todo lugar para onde Deus nos envia é o lugar perfeito. O que fazemos com cada momento é significativo. Nossa vida pode ser um sermão que o mundo ouvirá, mesmo que raramente digamos uma palavra. Assim como a encantadora cor da orquídea encheu a sala de beleza, a gratidão para com nosso generoso Criador permeará nossa vida.
Carol J. Greene

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

"O cimento de sua vida!"


Livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta. Hebreus 12:1

A entrada da garagem e a calçada em frente da nossa casa necessitavam de reforma. Para remover o cimento velho, usamos um trator, caçamba e correntes. Contudo, para enrolar a corrente em torno das peças, os homens tiveram que usar uma miniescavadeira e pés-de-cabra para soltá-las, a fim de terem espaço para rolar a corrente em torno das várias porções do cimento. Remover e descartar o cimento velho consumiu tempo e exigiu um bocado de energia muscular.
Uma vez removidas as pesadas peças de cimento, os carpinteiros puderam começar a preparar as formas nas quais despejar o novo concreto. Eles nivelaram o cascalho e depois usaram uma máquina para compactá-lo. Somente depois puderam dispor os vergalhões para receber o novo concreto. A nova estrutura de cimento conservará seu formato e será mais forte porque tem os vergalhões. Agora estavam prontos para despejar o cimento. Os caminhões trouxeram a mistura e a despejaram nas formas. Com cuidado, os homens nivelaram a mistura. Depois de suficientemente seca, passaram a desempenadeira para deixá-la lisinha. O produto final foi uma entrada de garagem e uma calçada com acabamento perfeito.
Na vida, carregamos muito peso que pode ser comparado com o cimento velho. Muitas vezes, os antigos hábitos e maneiras de fazer as coisas são difíceis de remover, mas precisamos fazê-lo para que não nos incomodem mais. Nós, seres humanos, carregamos velhos rancores, acariciamos crenças que são frequentemente errôneas, e desenvolvemos hábitos irritantes e repulsivos. Removê-los do nosso caráter e vida é difícil, às vezes. Seria maravilhoso se pudéssemos usar pés-de-cabra e escavadeira para soltá-los. Fazer com que um trator as leve embora tornaria o processo muito mais fácil.
Então aparece uma palavra que preferimos não ouvir: mas. Mas – não temos o luxo de usar equipamento pesado e alavancas de metal para soltar os “trastes” que desejamos tirar da nossa vida. Em lugar disso, podemos recorrer a um auxílio muito melhor para limpar o coração e a mente.
Temos o privilégio de depender de nosso Senhor e Salvador para dirigir nossos pensamentos, ficar ao nosso lado quando estamos sinceramente tentando mudar, e conceder-nos o sucesso. Ele é mais eficiente que quaisquer ferramentas, tratores ou energia muscular. Seus métodos são os melhores. Que aprendamos a nos apoiar nEle mais plenamente e deixar de lado os pesos negativos que carregamos.
Evelyn Glass

domingo, 12 de outubro de 2014

"A Terra de puro encanto!"


Ele me levou no Espírito a um grande e alto monte e mostrou-me a Cidade Santa, Jerusalém [...]. Ela resplandecia com a glória de Deus, e o seu brilho era como o de uma joia muito preciosa. Apocalipse 21:10, 11.

Raramente me sento junto à janela do avião, preferindo um assento próximo ao corredor, no qual possa me movimentar mais livremente. Entretanto, numa recente viagem, tive a fila inteira dos três assentos só para mim! Depois da decolagem, coloquei os pés para cima e me estiquei para apreciar o voo. Apoiada contra a janela, olhei a cena que era definitivamente de tirar o fôlego. As nuvens cobriam o céu, tanto quanto eu podia ver – ondas de pequenos tufos brancos, dispostas em camadas tão parelhas que não se podia ver através delas. Acima dessa camada de pura beleza, o sol resplandecia. Maravilhei-me com essa vista, o resultado da mente criativa de Deus e Seu design inteligente. Pensar que Ele planejou o funcionamento do Universo para criar um caleidoscópio de tal magnitude me levou a refletir sobre Suas muitas e inesperadas dádivas.
Enquanto ainda apreciava a vista, a voz do comandante me chamou a atenção. Preparávamo-nos para o pouso. O avião começou gradualmente a descida, penetrando nas nuvens. Perguntei o que nos aguardava, enquanto abríamos caminho em meio à camada branca. Mas, para minha surpresa, as nuvens não pareciam tão densas como eu esperava, nem tão espessas. Por breves momentos, o comandante nos guiou por céus menos amistosos, já que tudo ficou branco ao redor, sem indícios do que poderia estar por perto. Não tínhamos escolha a não ser confiar nos instrumentos e em sua habilidade de pilotar. Mas perdemos o sol! Agora o céu estava carrregado, com indicações de um clima tempestuoso. As nuvens que eram magníficas à luz do sol, acima, agora eram cinzas e ameaçadoras, ao bloquearem o sol. Não pude deixar de refletir: “Eu preferia estar acima das nuvens, onde tudo é brilhante e glorioso.”
Em breve, você e eu seremos reunidas nas nuvens. Do outro lado, nosso Pai estará sentado em Seu grande trono branco, na Cidade Santa, a terra de puro encanto, pronto a receber Seus filhos fiéis. Mas, nesse meio-tempo, precisamos navegar pelas desconhecidas e escuras nuvens da vida. É o tempo de confiar completamente em Jesus e em Sua capacidade de conduzir-nos com segurança. Ao nos apoiarmos nEle, os trechos acidentados ao longo do caminho parecerão menos assustadores. Naqueles momentos em que a vida não me trata tão bem, faço questão de me lembrar: “Continue firme! Agora não vai demorar.”
Bernadine Delafield

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

"Isto também passará!"

Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã. Salmo 30:5, ARA.

Três anos atrás, sofri uma horrorosa queda no trabalho. Ela exigiu cirurgia, depois dois meses e meio sem poder pôr peso na perna direita. A dor era lancinante – mais do que eu imaginava que poderia suportar. E a fisioterapia, o atendimento domiciliar e a assistência necessária eram estranhos para mim. Lidar com essa inversão de papéis era realmente um desafio.
O que me havia trazido a esse ponto? Muitas pessoas deram palpite sobre o motivo de Deus ter-me permitido sofrer uma queda tão brutal. Senti-me como Jó sobre as cinzas, enquanto elas expunham seus fundamentos lógicos. Eram bem-intencionadas. Todavia, não tinham ideia das razões de Deus para permitir a tragédia. Como Jó, eu teria uma audiência com Deus quando chegasse a hora certa.
Enquanto permanecia deitada, no hospital, ter que tocar uma campainha para solicitar ajuda, ser incapaz de chegar ao banheiro em tempo, e precisar de alguém para me fazer a higiene e me vestir era mais do que eu poderia ter imaginado. Eu? Sim, Shirley, você! A ideia me trouxe lágrimas aos olhos. Lembro-me de uma noite, durante a qual me senti especialmente deprimida e impotente. A enfermeira percebeu isso e perguntou o que estava errado. Quando me lamentei sobre quão impotente me sentia, ela, solícita, respondeu: “Isso também passará.”
Naquele momento, lembrei-me de que meu filho havia trazido o toca-CD/DVD para o hospital, com meu CD favorito de música. Nele havia exatamente este cântico: “Isto Também Passará.” Fiz tocar essa música vez após vez. O cântico, que eu sempre pulava para chegar ao meu hino favorito, agora era muito precioso para mim. Eu precisava ser lembrada de que o lugar em que me encontrava era temporário. Chegaria o momento em que eu caminharia de novo.
A vida cristã não está livre de dor e sofrimento. Os planos mais bem elaborados podem acabar mal: a inesperada morte de um ente querido, filhos perdendo o rumo, e a lista prossegue. Mas, em meio às situações e circunstâncias da vida, Deus nos dá a certeza de que está conosco. Ele nunca nos deixará nem nos abandonará. Ele é minha torre forte, socorro bem presente na tribulação.
A vida tem suas provações, mas o cristão tem o Espírito do Deus vivo, que o fortalece para enfrentar as dificuldades. Ansiamos pelo dia em que essas provas terão terminado; mas, até lá, seguraremos firmemente a mão de Jesus. Somos filhas do Rei dos reis.
Shirley P. Scott

"Crendo no inacreditável!"

Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-O enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que Se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar. Isaías 55:6, 7, ARA.

Por intermédio de Sua Palavra inspirada, Suas bênçãos diárias, Seu mundo criado, Sua comunhão pessoal e várias experiências da vida, nosso generoso Deus revela tudo o que precisamos saber a respeito dEle. Algumas coisas, porém, permanecem além da nossa compreensão. Que Seus pensamentos e caminhos sejam mais elevados que os nossos é um desses conceitos insondáveis.
A despeito das abundantes evidências do generoso amor de Deus por nós, o inimigo do ser humano frequentemente desanima a muitas de nós, impressionando-nos constantemente com os erros do passado. Deus perdoou esses pecados há muito tempo. Mas Satanás se deleita em convencer-nos com um avassalador senso de culpa e desgraça – algo que Deus nunca pretendeu que carregássemos.
Satanás nos faz concentrar os olhos em nós mesmas, e não no Salvador. Mas o manto da justiça de Jesus nos cobre, e, toda vez que o inimigo nos distrai, desanima ou de algum outro modo nos engana nessa questão, devemos recordar que os pensamentos de Deus, Seus caminhos e Seu amor incondicional e assombroso estão a nosso favor. Nosso Pai vê a perfeição de Cristo sobreposta ao nosso “eu” recriado.
Além da possibilidade de clamar a Jesus imediatamente, recebemos outra defesa maravilhosa contra as ondas de dúvida que nos podem levar a cair presa dos jogos mentais de Satanás. A Bíblia nos diz que Cristo ama profundamente todos os que por longo tempo foram prisioneiros de Satanás, pois Deus trabalha de modo incansável para convencer-nos de Seu amor personalizado. Quando vamos a Cristo com genuína convicção e arrependimento, nossos pecados mais horrendos são apagados. Não nos deixemos persuadir de que o grande, amoroso sacrifício de Cristo foi para os outros, e não para nós, ou de que tenhamos cometido o pecado imperdoável.
Os caminhos e o amor de Deus são, na verdade, muito mais altos do que os nossos, e podemos não captá-los jamais. Com a confiança total de uma criança, precisamos simplesmente acreditar quando Ele diz que nos perdoou e nos renovou por meio de Cristo. Ele deu a Si mesmo por nós, uma poderosa evidência de Seu amor incomparável e Sua graça abrangente.
Heidi Vogt
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